quarta-feira, 6 de maio de 2009

quarta-feira, 18 de março de 2009

AMIGOS E AMIGAS

DE TUDO QUE SAIU SOBRE O CASO DO ABORTO E EXCOMUNHÂO EM ALAGOINHAS / PE O TEXTO ABAIXO É O MAIS LÚCIDO E EVANGELICO DE TODOS. POR ISSO O PARTILHO COM VOCÊS.

Dom Rino Fisichella,
Arcebispo Presidente da Pontifícia Academia Pela Vida
comenta[1] caso de Alagoinha/PE


"O debate sobre algumas questões freqüentemente se torna cerrado e as diferentes perspectivas nem sempre permitem considerar o quanto o acontecimento em jogo seja realmente grande. É este o momento em que se deve olhar o essencial e, por um momento, deixar de lado aquilo que não toca diretamente o problema. O caso em sua dramaticidade é simples. Uma menina de apenas nove anos, a quem chamaremos Carmen, e a quem devemos olhar fixamente nos olhos sem distrair sequer um minuto, para fazê-la entender o quanto a queremos bem. Carmen, em Alagoinha, foi violentada várias vezes pelo seu jovem padrasto, engravidou de dois gêmeos e nunca mais teve uma vida tranqüila. A ferida é profunda porque a violência a destruiu por dentro e dificilmente lhe permitirá no futuro olhar os outros com amor.

Carmen representa uma história de violência cotidiana e ganhou as páginas dos jornais somente porque o arcebispo de Olinda e Recife se apressou em excomungar os médicos que a ajudaram a interromper a gravidez. Uma história de violência que, infelizmente, teria passado despercebida, pois estamos acostumados a ver todos os dias fatos de uma gravidade sem igual, se não fossem as reações causadas pela atuação do bispo. A violência sobre uma mulher é grave, e se torna ainda mais deplorável quando perpetrada contra uma menina pobre, que vive em condição de degradação social. Não existe linguagem correspondente para condenar tais episódios, e os sentimentos que surgem são muitas vezes uma mistura de raiva e de rancor que se acalmam somente quando a justiça é feita realmente e se tem certeza de que o criminoso será punido.

Carmen deveria ter sido em primeiro lugar defendida, abraçada, acariciada com doçura para fazê-la sentir que estamos todos com ela; todos, sem exceção. Antes de pensar na excomunhão era necessário e urgente salvaguardar sua vida inocente e recolocá-la num nível de humanidade da qual nós homens de Igreja devemos ser anunciadores e mestres. Assim não foi feito e, infelizmente, a credibilidade de nosso ensinamento sofre com isso, pois aparece aos olhos de muitos como insensível, incompreensível e sem misericórdia. É verdade, Carmen trazia consigo outras vidas inocentes como a sua, não obstante fossem frutos da violência, e foram ceifadas; isso, todavia, não basta para fazer um julgamento que pesa como uma guilhotina.

No caso de Carmen se confrontaram a vida e a morte. Por causa de sua tenra idade e de suas condições de saúde precárias sua vida corria sério risco por causa da gravidez. Como agir nestes casos? Decisão árdua para o médico e para a lei moral. Escolha como esta, mesmo como uma casuística diferente, se repetem cotidianamente nas salas de tratamento intensivo e o médico se encontra só no ato de decidir o que fazer. Ninguém chega a uma decisão desse tipo com desenvoltura; é injusto e ofensivo pensá-lo.

O respeito devido ao profissionalismo do médico é uma regra que deve envolver todos e não pode consentir chegar a um julgamento negativo sem antes considerar o conflito criado em seu íntimo. O médico traz consigo sua história e sua experiência; uma escolha como essa de ter que salvar uma vida, sabendo que coloca em sério risco outra, jamais é vivida com facilidade. Certo, alguns se acostumam a tais situações que e as vivem sem sentimento; nestes casos, porém, a vocação de ser médico é reduzida apenas a uma profissão vivida sem entusiasmo e passivamente. Fazer de um caso um todo, além de incorreto seria injusto.

Carmen repropôs um caso moral entre os mais delicados; tratá-lo de forma rápida não faria justiça nem à sua frágil pessoa nem aos que estão envolvidos no caso. Como todo caso singular e concreto, merece ser analisado de forma peculiar, sem generalizações. A moral católica possui princípios dos quais não pode prescindir, mesmo se o quisesse. A defesa de uma vida humana desde a sua concepção pertence a um destes princípios e se justifica pela sacralidade da existência. Todo ser humano, de fato, desde o primeiro instante de vida traz consigo a imagem do Criador, e por isto estamos convictos de que devem ser reconhecidos os direitos e a dignidade de toda pessoa, primeiro entre todos o de sua intangibilidade e inviolabilidade.

O aborto não espontâneo sempre foi condenado pela lei moral como um ato intrinsecamente mau e este ensinamento permanece imutável em nossos dias desde os primórdios da Igreja. O Concílio Vaticano II na Gaudium es spes - documento de grande abertura e perspicácia em relação ao mundo contemporâneo - usa de forma inesperada palavras inequívocas e duríssimas contra o aborto direto. A colaboração formal constitui uma culpa grave que, quando realizada, exclui automaticamente da comunidade cristã. Tecnicamente, o código de Direito Canônico usa a expressão latae sententiae para indicar que a excomunhão se atua automaticamente no momento em que o fato acontece.

Não era preciso tanta urgência e publicidade ao declarar um fato que se realiza de maneira automática. O que se sente maior necessidade neste momento é o sinal de um testemunho de proximidade a quem sofre, um ato de misericórdia que, mesmo mantendo firme o princípio, é capaz de olhar além da esfera jurídica para atingir aquilo que o direito prevê como objetivo de sua existência: o bem e a salvação daqueles que crêem no amor do Pai e daqueles que acolhem o Evangelho de Cristo como as crianças, que Jesus chamava para junto de si e as abraçava dizendo que o reino dos céus pertence a quem é como elas.

Carmen, estamos do seu lado. Partilhamos o sofrimento pelo qual passou, queremos fazer de tudo para lhe restituir a dignidade que lhe foi tirada e o amor de que você precisa ainda mais. São outros que merecem a excomunhão e o nosso perdão, não os que lhe permitiram viver e ajudam a recuperar a esperança e a confiança, não obstante a presença do mal e a maldade de muitos”.
[1] L`Osservatore Romano – 15 de março de 2009. http://www.vatican.va/news_service/or/or_quo/text.htmil

segunda-feira, 9 de março de 2009

Compartilho com todos esse texto do Eduardo Machado

O dogma, a pedra e o amor


Ainda que eu fale todas as línguas, dos homens, dos anjos, da mídia... e use todas as línguas para proclamar dogmas, emitir opiniões em entrevistas polêmicas ou fazer comentários de botequim... se não tenho amor, sou como uma campainha estridente, incômoda, medíocre, desagradável e inútil.
Ainda que eu tenha ao meu lado e ao meu serviço toda a ciência, toda a tecnologia e todo o conhecimento... se não tenho amor, tudo isso é apenas insensível e estéril erudição.
O amor é paciente, até com aqueles que, do alto da sua religiosidade atrofiada e hipócrita, julgam-se no direito de criticar a Igreja, como se ela fosse uma instância externa, superior, distante. Eu sou Igreja, tanto quanto meu irmão na fé, D. José Cardoso Sobrinho, que preferiu o conforto da lei e do dogma à misericórdia.
E ainda que me envergonhe de muitas coisas, tenho orgulho em dizer que a Igreja é minha família. E da minha família eu até posso falar mal, pois conheço as suas entranhas, mas fico indignado vendo os católicos hereditários, os que se proclamam “não praticantes” pegando carona no senso comum, fácil e generalizante, para destacar o atraso medieval de um bispo, sem falar na hipocrisia colossal de toda uma sociedade.
Fossemos coerentes estaríamos todos às portas do Congresso pedindo a excomunhão política daqueles que estupraram os cofres públicos em Brasília, desonraram a nossa cidadania, engravidaram de desesperança as novas gerações e agora ganham, como prêmio, a presidência de comissões com seus bilhões.
Optamos pelo conforto descompromissado dos comentários de botequim.
D. José optou pela segurança da lei e do dogma. Tem ao seu lado uma verdade que até os médicos reconhecem, apesar de tantos malabarismos verbais e relativismos éticos do nosso tempo; a vida começa com a concepção. E se é assim, para preservar a vida de uma criança de nove anos, as vidas de duas outras crianças de três meses foram eliminadas.
É verdade. O aborto agride o direito fundamental à vida. E, por falar em agressão, o caso da menina de Recife é uma daquelas situações para a qual foi feito o ditado: em casa que não tem pão, todo mundo chora e ninguém tem razão.
A menina de Recife corria muitos riscos. E, o mais irônico, é que talvez nem tenha se assustado tanto com o risco que correu. Risco é coisa que conhece desde que nasceu. Correu e corre todos os riscos, todos os dias, em razão da segurança que não temos, da saúde que negamos, da educação que sonegamos, do trabalho que extinguimos em nome de uma crise primeiro mundista que está aí, a engrossar a fila dos desesperados, dos desempregados, dos enlouquecidos por esse crime hediondo chamado capitalismo selvagem.
Na vida da menina de Recife (de quantas meninas, de quantos Recifes?) faltou mais que pão. Do padrasto hediondo à sociedade hipócrita, do início ao fim, faltou misericórdia, um outro nome do amor.
Ao se apoiar no Código Canônico, ao evocar a lei, Dom José não quis correr riscos. Aqueles que vivem em palácios, sejam episcopais, legislativos ou em São João de Nepomuceno, não gostam de correr riscos. Mas Dom José conhece bem uma outra possibilidade, um outro caminho que ele podia ter seguido. Aquele a quem ele busca seguir, Jesus de Nazaré, agiu de forma diferente. Ele também viu-se diante de uma questão legal que envolvia vida e morte.
Uma mulher foi atirada diante dele. Já estava julgada e condenada. Flagrante de adultério. A pena era a morte. Faltava a execução.
Jesus não questiona a lei. Questiona a hipocrisia. Coloca-se entre a mulher e as pedras como, mais tarde, se colocaria entre a cruz e o nosso egoísmo. Oferece a opção do amor que não compactua com o pecado, mas acolhe, na ternura, o pecador.
“Aquele que estiver sem pecado que atire a primeira pedra!
...
“Mulher, onde estão os que te condenavam?
Não há mais ninguém, senhor...
Pois eu também não te condeno. Vai e não tornes a pecar...”

Eduardo Machado

domingo, 8 de março de 2009

APRESENTAÇÂO




Olá amigos

Apresento o meu novo blog, aqui publicarei pensamentos, mensagens, opinião e fotos.

Um grande abraço

Pe ELCIO TOLEDO, SJ